Na #SériePerfil deste mês, a entrevistada é a Defensora Pública Caroline Lima e Silva Mazzola Panichi. Formada pela PUC, em 2002, Caroline é Defensora Pública desde 2008. Trabalhou nas comarcas de São Leopoldo, Capão da Canoa, Novo Hamburgo, Alvorada e no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS). É ganhadora do Prêmio Mulher do Ano 2013 e atualmente é Diretora Regional e titular da 6° Defensoria Pública de Alvorada, onde atua na Vara de Família, sua área de paixão. 

Caroline praticou a profissão de advogada por pouco tempo, tendo se dedicado aos estudos para ingresso em carreiras jurídicas e tendo sido aprovada no concurso da Defensoria Pública.logo já estava trabalhando como Defensora. “Eu realmente sou uma pessoa muito feliz com o que eu faço, sou gratificada, tenho honra de dizer isso todos os dias para os meus filhos. Às vezes eles me perguntam ‘O que tu faz mamãe?’ e eu falo ‘a mamãe está saindo para ajudar as pessoas’, então eles falam, ‘minha mãe ajuda as pessoas’, com muito orgulho”.

Caroline contou que já passou por diversas áreas, e que isso nunca diminuiu seu amor pela área de de família, “me tornei uma pessoa melhor desde que virei Defensora Pública, a profissão e tudo que lidamos diariamente nos tornam seres humanos melhores”. 

Destacar o valoroso e inspirador trabalho realizado por algumas das mulheres mais importante do Rio do Sul é a premissa orientadora do Prêmio Mulher, que em 2013, foi conquistado pela atuação de Caroline na comarca de Alvorada. A Defensora lembrou com carinho do que sentiu, não apenas pela vitória, mas também por estar grávida da sua filha no momento que recebeu o troféu, “fiquei honrada, será um símbolo para o futuro, para que ela tenha orgulho de mim”. 

O cargo de Defensora Pública é um trabalho que exige muito tempo e dedicação, por isso, o equilíbrio entre a família e a carreira pode ser complicado de alcançar, para Caroline não é diferente, “é uma luta diária, porque eu gosto de ser uma mãe dedicada e estar presente na vida dos meus filhos”. A Defensora também contou que o coleguismo é essencial para manter a vida em casa e no trabalho equilibrada, “eu acho que essa parceria é importante, para que a gente consiga conciliar e fazer os dois papéis, temos que nos sentir bem na hora do trabalho, é muito importante trabalhar em uma comarca que os colegas são amigos”.

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul completa em 2020, 26 anos, durante a entrevista, Caroline contou que comparado ao início da carreira até os dias de hoje, as mudanças são uma grande melhoria, “a Defensoria Pública cresceu e se organizou de forma que possamos ter uma qualidade de vida melhor, um trabalho ainda mais qualificado. Em São Leopoldo, quando eu comecei, saíamos do Foro no final do dia e já tinham pessoas na fila para serem atendidas no dia seguinte, era um problema, mas conseguimos resolver”. Caroline contou que foi elaborada uma forma onde os assistidos pegavam a lista de documentos necessários e só eram agendados quando já tinham todos em mãos. 

Quando questionada sobre os casos que mais marcaram sua carreira, Caroline lembrou imediatamente de um atendimento em São Leopoldo, quando entrou com uma ação judicial muito exitosa para uma assistida deficiente que queria tirar a carteira de habilitação. “Ela tinha pago todas as taxas e fez todas as aulas teóricas, porém, a Comarca não tinha carro adaptado, ela teria que se deslocar para outro município, mas a assistida queria fazer ali, porque ela tinha esse direito. No fim, ela conseguiu exercer esse direito de igualdade como todas as outras pessoas que faziam carteira de habilitação na cidade que morava”. A Defensora finalizou contando que o pai da assistida mandou um buquê flores para a comarca de Capão da Canoa onde estava atuando trabalhando, pelo trabalho que havia feito em benefício a filha dele, “foi algo muito marcante”.

Segundo a Defensora, a sua mentora, ex-Subdefensora Pública-Geral do Estado, Darclé de Oliveira Cruz, reconhecida pelo trabalho que realizou em São Leopoldo, a ensinou muito e se aposentou no cargo merecidamente. “Acredito que muito da forma como eu trabalho tem a ver com o que eu aprendi com ela, ela se preocupava e era muito dedicada às pessoas, foi uma honra ter trabalhado ao seu lado”, concluiu. 

23 de Março de 2020

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