O Defensor Público aposentado Artur Costa trabalhou durante duas décadas na Vara do Júri, de Porto Alegre. Antes de iniciar sua história na Defensoria, atuou em lojas de móveis e de calçados, na Prefeitura Municipal, advogou e foi Assistente Judiciário, no Foro da Tristeza.

Após esse período, foi convocado para assumir a Vara do Júri. Tinha medo, não queria, e, hoje, agradece. “O Júri para mim é um teatro. Nós ocupamos o palco, que é o plenário, cada um defendendo, com todo o amor, os seus assistidos, conseguindo, com esforço e dedicação, a absolvição deles."

Tendo feito mais de mil Júris, recebia o processo na terça-feira, às 18h, para estudá-lo, à noite, e, às 9h do dia seguinte, estar no plenário. “É uma coisa que do fundo do meu coração, tenho saudade. Me traz muitas alegrias, porque até hoje encontro jurados na rua que me tratam com todo carinho e atenção.” Artur tinha por norma decorar o nome de cada jurado, tratava pelo nome por sempre acreditar que a amizade do jurado é essencial.

“Hoje, vamos dizer que eu viva de saudade." Ele fazia em torno de 12 a 15 Júris por mês. Em decorrência do intenso ritmo de trabalho, sofreu dois AVCs, e um infarto, passou por uma separação, e teve de se aposentar para dedicar-se ao filho incapaz. “Quando consegui uma pessoa que me ajudasse a cuidar dele, tentei voltar para a Defensoria apesar de aposentado, mas me foi negado, essa é minha tristeza.”

Embora quisesse ter continuado na instituição, Artur tem consciência de que sua saúde poderia se debilitar ainda mais. A pressão do Júri e o excesso de trabalho só não eram maiores que a sua gratidão pela Defensoria Pública. “Se tu me perguntares quando é que me aposentei, eu não sei, mas, que tenho vivido bastante, tenho”, concluiu.

21 de Fevereiro de 2018