Filha de assistente social, Bruna de Lima Dias traz no sangue a vontade de ajudar as pessoas. Natural de Rio Grande, no interior gaúcho, desde sempre sabia que queria ser Defensora Pública. Em 2016, o sonho tomou forma, e, a partir de então, seu carinho pela instituição apenas cresce. “Eu esperava muito e, incrivelmente, é ainda melhor.”

Depois de empossada, surgiram os desafios. Bruna foi lotada em Dom Pedrito, distante 330 km de sua cidade natal, onde deparou-se, pela primeira vez, com as dificuldades diárias de uma Defensoria: duas Varas Judiciais, um presídio com 200 detentos, três promotorias, além de um convívio complexo com as pessoas do local, pelo fato de ainda não conhecê-las. Conforme evidenciou, era muito difícil de trabalhar. Porém, ao mesmo tempo, sempre teve fé, passando a acreditar que precisava passar por aquela situação. “Aquelas pessoas necessitavam da minha presença, e, por isso, eu tinha de ter um jogo de cintura e aguentar toda a pressão.”

Em julho de 2017, veio a mudança. A Defensora foi transferida para São José do Norte, ao lado de Rio Grande. “Hoje, os desafios são mais concretos, a demanda não é tão grande, e pode até se pensar mais na qualidade do trabalho. Consegui, inclusive, elaborar um novo projeto, de avaliação do atendimento.” Bruna desenvolveu a iniciativa para saber como os assistidos estavam respondendo ao trabalho da Defensoria na cidade.

Em geral, os assistidos de São José do Norte são muito gratos à Defensoria, e isso não só pelos atendimentos, disse ela, mas pela razão de a instituição ter se tornado conhecida por melhorar significativamente o transporte de São José para Rio Grande. A balsa atravessa mais de 5km entre a Lagoa dos Patos para levar pessoas de uma cidade à outra. A travessia é de meia em meia hora, e o último horário é às 17h. “Ainda é difícil, mas antes era pior. O serviço está melhorando, mas ainda há um longo caminho, nosso principal pedido é para diminuir o tempo de percurso.”

Depois de quase dois anos de Defensoria, Bruna contou que a realidade do trabalho acabou por superar suas expectativas. Para ela, o maior prazer é poder ajudar pessoas todos os dias. “Já passei por fases muito difíceis, principalmente no início, mas não me imagino fazendo outra coisa.” Conforme ressaltou, é muito gratificante. “A gente não passa um dia sequer sem fazer alguma coisa boa para alguém, e receber o respaldo disso tudo da própria pessoa, não tem preço”, concluiu.

30 de Abril de 2018